06/junho/2009 - Marquem esta data, é a data que André Santos entrou em campo vestindo a camisa da seleção Brasileira pela primeira vez. André não jogou, mas estava lá no banco de reservas da Seleção Brasileira. A alegria deste momento foi comemorada aqui em toda Biguaçu e muitos dos seus amigos estavam na minha casa torcendo pelo Paulistinha. A gente ficava imaginando o que poderia estar passando na cabeça deste garoto prodígio. A alegria dele era tanta, que ele fez antes e depois do jogo ligações telefônicas sucessivas a mim e a seus amigos para dividir este momento. E foi bom, o Brasil venceu o Uruguai pelo placar de 4x0.
Sou parte dos poucos que tiveram o prazer de conhecer e conviver com um ser Iluminado como André Santos. André Clarindo dos Santos nasceu em 08 de março de 1983 em São Paulo região de Interlagos. Com cinco anos de idade, com seus pais veio morar em Santa Catarina. Desde os sete anos na cidade de Biguaçu.
Irmão de Letícia, que fez aniversário no dia de ontem, não está aqui hoje, pois está comprometida com as provas de faculdade que não a liberaram para este momento. André sempre conviveu bem com sua única irmã e juntos enfrentaram o drama de uma família humilde sem recursos próprios para seguir sua carreira e seus estudos. Bem diferente de hoje quando André comemora um grande momento de sua vida, se estabilizando financeiramente, dando condições de vida dignas para sua família e aguardando ansioso a chegada do pequeno Arthur, fruto do amor entre André a Bela Suelen que se casaram recentemente aqui no Brasil.
A gigante trajetória deste menino que com o tempo tornou-se um grande ídolo não só de nós Catarinenses mas de toda a nação Brasileira. André conhecido por "Paulistinha” era raquítico, magrinho e se destacava por ter canelas finas. Já dizia o pessoal mais velho que canela seca era marca registrada de bom jogador de futebol.
André veio de uma infância pobre, sua mãe corajosa enfrentou a vida sozinha sustentando os dois filhos. Crianças ainda que não entendiam a ausência do pai que na época morava em São Paulo.
Com dificuldades, a dona Iraci (Zinha) assim carinhosamente chamada por mim, saía de casa para trabalhar numa lavanderia na cidade de Biguaçu. Os filhos ficavam em casa e a tarde se dirigiam para o colégio.
André, o “Paulistinha” sempre que podia se fazia presente nos campos de futebol da redondeza, quando não estava nas quadras de areia(comum aqui no litoral) estava nos gramados ou ainda envolvido em campeonato de Futsal, mesmo com pouca idade, jogava como um adulto.
Conheci André assim, quando técnico de uma equipe de futebol de base, Biguá Futebol Clube. Selecionava os garotos habilidosos e formava equipe para participar de campeonatos. O André vim a conhecer através de outros garotos que já falavam de suas qualidades. Todo mundo queria jogar no time do Paulistinha. Fui descobrir o porquê só depois que o vi jogando. André quando se apresentou a mim me deixou surpreso, pelo seu aspecto franzino e pequeno, eu duvidava que pudesse ser dono de tanto talento.
Mas a real é que o talento do garoto era surpreendente, nada forçado e sua disciplina e seu companheirismo era algo sobrenatural. André tratava a todos com respeito e mesmo seus adversários o admiravam. Ele era assíduo nos treinos e dono de uma simpatia singular, André estava sempre de alto astral. Conquistava todos e espontaneamente passava a liderar o grupo.
Houve um momento, porém que André e sua família passaram momentos muito difíceis eu lembro. Sua mãe havia se acidentado numa calandra, queimando todo o braço. Obviamente sensibilizado pela situação,me propus a ajudar aquela família.Tal gratidão vi nos olhos do pequeno Paulistinha quando chorando me agradeceu. Naquele momento em diante disse a ele que investiria nele como se fosse um filho e que nada deixaria faltar.
Este compromisso durou um pouco mais de seis anos, pois este menino aos poucos construía seu próprio caminho, as portas se abriam gradativamente e com muito esforço André atingia seus objetivos. André trabalhou comigo como barman, não que eu tenha exigido, ele apenas queria achar um jeito de me recompensar. Treinava a semana inteira, a noite estudava,e nos finais de semana trabalhava até madrugada na Pizzaria Madus. André era um ótimo Barman. Aos finais de semana além dos treinos forçados na equipe juvenil do Figueirense, André também mostrava seu talento no campeonato de Juniores de Biguaçu. Fomos campeões no ano de 2000 pelo Biguaçu Atlético Clube e em 2002 pelo Fundos Futebol Clube, este último foi a despedida de André dos gramados de Biguaçu. Ele era iluminado, fato que constatei uns meses depois, quando André foi chamado pelo Figueirense vestindo a camisa do Profissional. Na cidade de Lages ele jogou, e não tenho como descrever a emoção de ouvir o nome dele através do rádio. Daí pra frente muita coisa aconteceu. André construía sua história, foi para o Rio Claro interior de São Paulo, voltou para o Figueirense, vestiu a camisa do Flamengo, do Atlético Mineiro onde foi campeão da série B. Estes dois últimos clubes serviram apenas para dar a André a maturidade e a leitura de do que estava por vir. Quando retornou ao Figueirense no ano de 2006, acreditava-se que por aqui mesmo ficaria. Mas André queria mais, fez uma campanha surpreendente no campeonato Catarinense e na série A, mostrou todo o seu talento e disciplina e a força interior que emanava de seu ser.
As notícias eram surpreendentes, contratado pelo Corinthians em 2007, André realizou um dos seus maiores sonhos, a equipe paulista sempre foi seu time do coração. Desde criança André era visto freqüentemente com uma camisa do timão. Mais uma vez, seguro e maduro, foi Campeão pela série B ascendendo a Série A, sendo ovacionado e amado pela torcida corintiana. Sua entrada no Corinthians abriu as portas para o mundo e ali André conquistou algo muito maior, A Seleção Brasileira.
André Clarindo dos Santos mantém-se humilde até hoje, e adora estar entre seus amigos. Mora na Turkia, joga na poderosa equipe do Fenarbahçe,Quando vem a Biguaçu vive rodeado por todos e se esforça para não deixar ninguém sem a sua atenção.
Posso dizer que André, hoje está bem. Digo a todos que o ajudei e o faria de novo caso precisasse. Porque André Santos é o meu filho querido e dele só guardo coisas boas.
Tenho certeza que ele vai nos dar muitas alegrias ainda... É só esperar... Porque André é Brasil.